terça-feira, 31 de janeiro de 2012

ACONTECENDO




FOTO: CENTRO ADMINISTRATIVO E JURÍDICO DO RIO GRANDE DO SUL

O dia que decidi mudar com a família para Porto Alegre, estava com minha esposa e falávamos sobre o futuro de nossa união e principalmente sobre o futuro de nossos filhos. Havia muito tempo que nossos passeios fora do Estado e pela Argentina tinham o intuito de mostrar aos meninos que existe mundo além da belíssima região do Vale do Jaguari e que há muitos lugares onde é possível construir um futuro mais sólido e livre.
Morar em Porto Alegre seria um desafio enorme, e foi assim mesmo que ocorreu, com o surgimento de obstáculos enormes passo a passo ultrapassados para que outros, tão grandes ou ainda maiores surgissem.
Hoje não tenho qualquer motivo para me arrepender. Meus filhos já são adultos e sabem que entre Santiago do Boqueirão e Paris o único obstáculo é o carimbo no passaporte. Não que eles já tenham ido, lá, mas agora sabem que é possível e será muito interessante atravessar o oceano e conhecer outras terras além mar.
Também o meu amor está mais fortalecido. Porto Alegre promove romantismo (afinal, é o Porto dos Casais) e quando a vida fica meio amarguinha, damos um pulo em Tramandaí e respiramos o ar salgado da praia ou então esticamos a Gramado ou Bento, na Serra, para reerguermos nossa certeza de que a vida é maravilhosa, independente do lugar onde estejamos (se bem que um lugar paradisíaco é melhor ainda).
Amo minha terra natal, Alegrete e também adoro Santiago. Naqueles lugares passei momentos fantásticos, emocionantes e cheios de descobertas e aprendizagens.
Hoje, mesmo em meio à correria da capital, penso que vivo o mais desafiador momento de minha vida.
Se valeu a pena? Claro! Sempre vale a pena buscar uma vida melhor e um futuro ainda mais feliz!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O QUE É FUTEBOL

Ouvindo o programa Sala de Redação na tarde de ontem (19/12/2011), fiquei pasmo diante da falta de concordância com algo que ficou plácido na final mundial entre Barcelona e Santos, em que o Barcelona jogou como jogava o Santos na década de 60 e o Santos jogou como o sempre jogou o Santos de Murici Ramalho em 2011.
Diante do futebol jogado pela equipe catalã, os comentaristas fizeram conjecturas variadas e estéreis pois não condizentes com a realidade do futebol jogado pelo melhor time do mundo que, em resumo, é feito com o mais perfeito ingrediente do futebol: a simplicidade.
Qualquer criança concorda que é mais fácil dar um passe que fazer um drible e todos concordam que estar no lugar certo e na hora certa é mais eficaz que tentar andar por todos os lugares.
Ora, o barcelona desenvolve um futebol simples, de passes certos no tempo ideal para evitar a reação do adversário e isso é conseguido através de muito treinamento com atletas qualificados e eficientes, tanto no passar como no receber a bola com velocidade e precisão.
Ficar palpitando se o esquema é 4-4-2 ou 3-5-2, vá lá, é o máximo que conseguem enxergar os leigos da bola. Agora supor que o Barcelona adota o 5-7-0 ??? Aí já é realidade transformada em ficção.
É óbvio que um time que possui um passe perfeito, não pode prescindir da volatilidade nos posicionamentos e isso o Barça faz com desenvoltura e mais caprichadamente o fez contra o Santos, pois aquele era o momento de provar se eram eles realmente os "melhores do mundo". Para o Santos, era um tiro na lua.
Claro que o Messi faz uma diferença, aliás, a diferença é que além de passar e receber bem os passes, ele tem o talento do drible rápido, o que não autoriza que o "craque" do Santos diga que foi uma aula de futebol. Não mesmo, o que aconteceu foi apenas uma lição de um futebol jogado a partir de muito treinamento e de um espírito de equilíbrio acrescentado de harmonia entre os jogadores.
Quando eu ainda era menino nas categorias de base do Grêmilo, via os saudosos treinadores Adão Pereira e Paulo Lumumba insistirem que seus jogadores ofensivos aprendessem a conduzir a bola próxima do corpo com toquezinhos sutis, de modo a evitar que ela fosse "roubada" por um marcador mais atento. O resultado apareceu nos inúmeros craques que marcaram gerações inteiras de grandes jogadores da década de 80, em especial no time do Grêmio que papou o mundial com Renato Portaluppi e outros.
Portanto, apesar de adorar o programa da Gaúcha e reconhecer nos seus participantes os melhores analistas de futebol do Brasil, não posso deixar de dizer que a constância da repetição sobre o que é futebol os está impedindo de perceber que a diferença do melhor time do mundo está no fato de ser igual aos melhores times que o mundo já viu jogar, seja Santos dos anos 60, Seleção Brasileira de 70, Flamengo dos anos 70/80, dentre outros que tinham nas tabelas, nos passes rápidos e no envolvimento dos adversários pelo passe, sua marca diferencial.
Reconhecer que o Barcelona joga de maneira simples é um ato que exige muita coragem. Fica mais fácil e menos perigoso apenas afirmar que o Barcelona é uma exceção na história da humanidade e que o "Carrossel Holandes" que assombrou o mundo, nada mais foi que uma ilusão do passado.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O FRANGO VOADOR

Existe a fábula infantil do Patinho Feio, que chocado e criado pelas galinhas, ao descobrir que era pato voltou a ser feliz e se encontrou navegando como um belo de sua estirpe, esquecendo o malfadado período do galinheiro, quando era maltratado pela diferença que tinha dos irmãos. Mesmo diante desta fábula magnífica, há uma nova que não quer calar: éa do Frango Voador.
A história inicia da mesma maneira, mas se estende até o momento em que ao descobrir que era um pato, resolveu abrir as asas e se libertar da opressão do galinheiro.
Só que diferente do patinho feio, quando voou, se afastando do galinheiro, as galinhas, muito ignorantes, pensaram que ele era um frango voador e ficaram a cocorejar impressionadas com o inédito feito. Batiam as asas na tentativa de imitar o jovem frango voador, mas não saíam do chão.
Ele poderia terpartido para sempre, mas tratando-se de um pato de princípios nobres, resolveu retornar ao galinheiro para demonstrar que não tinha mágoas com as galinhas que tanto o maltrataram na infância e que agora, vendo ele um frango voador, poderiam  dar a ele um pouco do carinho que haviam economizado.
Ledo engano do pato: o "frango voador" como era conhecido desde recente partida, ao retornar foi recebido com desprezo e raiva.
Já de início as galinhas começaram a cocorejar como se vaiassem e aquela que fora sua chocadeira-mãe virou-lhe as costas, enquanto o galo, cheio de arrogância peitou-o determinando que desaparecesse dali.
Porém, como havia crescido e ficado mais forte, não se amedrontou com o galo, alçou vôo até o ponto mais alto do puleiro e entoou o seu "quá" que estava guardado.
Mais um instante e partiu para nunca mais voltar.
Ele foi feliz para sempre e ainda dá suas patadas naquela região.
Já o galinheiro continua lá, cheio de galinhas e com um galo que não é de nada, mas acha que é de tudo.
Assim é a vida dos homens. Aqueles que descobrem que não são frango do mesmo galinheiro, encontrando meios para voar, partem e não mais voltam.
Se retornarem, as galinhas e os frangos ficarão incomodados pelo seu talento incomum e o galo vai buscar meios de expulsá-lo.
É que mentes galináceas jamais vão entender o valor da vida que há além do galinheiro.

domingo, 27 de novembro de 2011

A NOVA ADVOCACIA

Existe uma nova advocacia no Brasil, diversa daquela em que o trabalho acontecia dentro de uma formalidade estável e as leis eram companheiras da consciência coletiva. Como dizem os colegas experientes, advogar era o ato de representar o cidadão ou a instituição a partir da transcrição lógica dos fatos à realidade jurídica, o que hoje é impossível de acontecer.
A nova advocacia exige muito mais dos profissionais, que atualmente precisam estar além da interpretação lógica dos fatos, passando a atuarem como intérpretes dos fins buscados pelos clientes. Não é mais apenas defender direitos: é defender idéias, sabendo que a riqueza das informações serve tanto para subsidiar os atos jurídicos, como para fragilizar as teses que delas se extraiam.
Simplificando, o meu escrito de hoje é um alerta para o fato de que atualmente, quando um cliente chega ao seu escritório, você, como advogado, não pode se dar ao luxo de inventar, criar expectativas ou mesmo prometer, mas necessita alertar sobre os riscos que existem no curso das ações jurídicas.
É comum receber clientes que chegam orientados por alguns colegas que dizem que tudo é possível. Mando-os de volta aos "sábios" que os orientaram ou ofertaram seus serviços, mesmo que isso me doa pelo prejuízo econômico.
Parece que todo o empregado demitido tem direito a receber além do que lhe foi pago, mesmo que tudo o que se pagou tenha sido correto! Há clientes que chegam a dizer que possuem "amigos" que poderão funcionar como testemunhas. Há também os casos daquela pessoa que deve até os dentes, mas ouviu que uma amiga que estava na mesma situação foi a um escritório que deu um "jeitinho" e a tirou da lista dos devedores. Dia desses uma pessoa chegou aqui dizendo que queria "ferrar" um vizinho pois tal pessoa estaria gastando muito dinheiro e que provavelmente estivesse envolvida com o tráfico. As afirmações possuem um conteúdo que resultam de uma imagem errada que um grande número de pessoas possui sobre o papel do advogado. Ora, que absurdo é viver neste novo tempo de advocacia?
Não sou perfeito e tampouco possuo muita experiência, mas me dedico com paixão por todo o ato jurídico que parte de meu escritório. Isso é o que vale e é o motivo dos momentos felizes da minha caminhada.
Sou um advogado novo (apesar dos 48 anos), mas não pertenço a essa nova advocacia onde um colega sequer cumprimenta o outro no elevador, mesmo trabalhando no mesmo prédio, quando deveria enaltecer o seu par; onde o valor do trabalho é medido pelo bolso do cliente e não pela complexidade do ato, ou mesmo onde a verdade não precisa ser verdade, mas apenas uma "tese" de uma verdade interessante para o meu cliente.
É impressionante como as pessoas não pensam mais em ver os seus direitos atendidos, mas apenas os seus interesses são os fatores que valem e, pior, alguns profissionais coadunam com essa posição, estimulando que se analise a causa pelo interesse e não pelo direito.
A Justiça não pode servir aos interesses de um quando a este não é garantido o direito. É uma frase simples, objetiva e inquestionável, mas esquecida por aqueles que precisariam lembrar todos os dias que a nossa vida é passageira e que devemos fazer o melhor possível para que a humanidade evolua.
Esforcei-me um tanto e mais para passar no Exame de Ordem, lutei muito e tive grande apoio para abrir meu escritório, e é por essas razões que sou feliz com o que faço. Mesmo assim, dói saber que alguns profissionais não honram tão valoroso labor e contribuem para que, apesar de todo o bem que se faz nesta operosa missão, ainda esteja na consciência popular que o advogado é uma inteligência na defesa da injustiça.
O Brasil necessita e merece discutir a ética no exercício da advocacia.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

ADEUS CHICÃO

Ele era um homem destemido, determinado e apaixonado por tudo o que encarava como missão. Recebeu esse estilo do Tenente Jaques, seu grande líder inspirador.
Conheci Chicão como lateral direito do Cruzeiro. Era um guerreiro em campo tendo como principal característica o "carrinho", a marcação forte, o passe cuidadoso e uma liderança nata, que contagiava seus companheiros e amedrontava os adversários.
Sendo um cabeludo e barbudo, o polaco como o chamavam aqueles muito mais chegados, nem parecia ser um conceituado Engenheiro Civil e empresário do ramo da construção civil.
Tudo o que fez em sua vida teve intensidade. Casou ainda moço com uma mulher extraordinária, Heloisa, com quem teve quatro filhos maravilhosos: Rodrigo, o mais velho, que seguiu a profissão do pai, Gabriel, o segundo, Carolina e Raquel.
Sua vida intensa e de mutações rápidas, fez com que acabasse separado daquela que jamais deixou de ser sua Companheira.
Ingressou na política e aí foi imbatível, iniciando como Vice-Prefeito, passando a Prefeito e daí a Deputado Estadual foi um pulo.
Chicão teve mais filhos, outros dois casamentos.
Partiu cedo, com a intensidade que viveu.
Deu-me momentos magníficos de felicidade. Foi meu padrinho de casamento e sempre solícito comigo e com todos.
Meu adeus a ti Amigo!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

AS ILUSÕES DO FUTEBOL... E DA VIDA

Alguém falou que futebol e ilusão são sinônimos? Bem, ao que eu entendo, o futebol só não é ilusão para aqueles que vivem dele, já os que vivem para ele, tudo não passa de ilusionismo, senão vejamos:
- No futebol é comum ouvir as pessoas dizerem frases como "Bah! Ontem jogamos muito mais que vocês!" ou "Não adianta, somos melhores!". Ora, a pessoa que está falando sequer sabe chutar uma bola e nunca jogou contra quem quer que seja! Quanto a "sermos melhores", de quem está falando? Dela mesma é que não é!
- Existem pessoas que preferem fazer um lanche no sábado para guardarem dinheiro para o ingresso do jogo domingo e na segunda-feira reclamam: "Não tenho dinheiro pra nada!"
- No futebol, os diretores são conhecidos como cartolas, participam de diretorias, esquecem as famílias para se dedicarem às reuniões do clube e a todas as atividades pertinentes a seus cargos e por incrível que pareça, não recebem qualquer remuneração por isso.
- É comum ver um jogador surgir do nada e se transformar em uma mega estrela. Das havaianas ilegítimas eles passam direto para o Porsche Caienne, bastando para isso algumas jogadas de efeito e, o mais interessante, quando se tornam milionários passam a ser celebridades, indiferente a sua formação cultural e intelectual.
Mas não há problema, o Ser Humano precisa de ilusões e, por outro lado, o Santos está magnífico e Neymar é inigualável (claro, todo mundo é diferente dele, aliás, todo mundo é diferente de todo mundo!). O Grêmio luta para suprir a gorda folha de pagamento de seus "craques, mas ao mesmo tempo constrói um dos mais modernos estádios do planeta. Já o Inter se arrasta para concretizar a obra do beira rio para a Copa e se a Andrade Gutierres não for boazinha, a Copa não acontece lá.
Enfim, o futebol é assim! Quanto à vida? Bem, a vida está precisando de novas ilusões como, por exemplo, a Copa de 2014, para a qual gastaremos bilhões de dólares tentando mostrar para os outros Países que o nosso País não é como eles pensam. Será que conseguiremos?
Concluindo, a vida e o futebol são duas grandes ilusões. Vai aí uma poesia?

terça-feira, 21 de junho de 2011

A NOVA ORDEM NO ESPORTE

A "Nova Ordem" do Futebol Brasileiro é: PROCURE UM ADVOGADO!
A afirmativa pode parecer irônica, mas não é! Ocorre que as alterações da Lei Pelé, além de não resolverem o emaranhado de controvérsias do setor, acabaram por implantar mecanismos que somente podem ser decididos pelos tribunais, seja na órbita cível ou trabalhista. As mudanças passaram a ser operadas sem anestesia e paira no ar uma situação popularmente conhecida como "buxixo". A seguir, alguns questionamentos interessantes:
- No caso dos contratos anteriores às inovações da lei Pelé em 2011, valem as regras da época ou as atuais? Somente nossos respeitáveis magistrados vão responder, afinal, em alguns casos as leis anteriores são benéficas aos clubes e em outras ao atleta. Na seara trabalhista, são maiores as controvérsias quanto à liberdade do atleta em optar pelo clube que melhor lhe convier,  o seu grau de responsabilidade para com o clube contratante, isso sem falar da excepcionalidade dos empréstimos, onde as responsabilidades, antes transferidas ao cessionário, agora são repartidas com o cedente. Ao mesmo tempo os clubes se deparam com uma insegurança diante da ação de entidades desportivas concorrentes e uma total falta de clareza quanto ao caso de descumprimento de cláusulas inseridas nos novos contrato. Isso tudo enquanto na área cível, a maior contradição está sobre os direitos dos investidores, o fim da famigerada "cláusula penal", trocada por outra cláusula não menos penalizadora que a anterior, enfim... Muito a se debater nos tapetões! 
- A nova Lei determina que 15  dias antes de completar 18 anos o atleta deva se manifestar se pretende fazer contrato com seu clube, mas qual valor teria a manifestação do atleta menor?
- Até o momento nenhum clube sequer foi certificado pela CBF como Clube Formador. Quando se estabelecer tal certificação, quem irá inspecionar? Como se poderá averiguar o cumprimento de todas as obrigações dos clubes para com seus atletas? E no caso dos atletas que abandonam seus clubes ainda jovens, retornando daí a algum tempo em outras agremiações, como e quem punir?
Bem, vamos por etapas...
Por enquanto é isso! Futebol, bol, bol, do Brasil, sil, sil!